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Substância do alho aumenta eficácia de quimioterapia contra câncer colorretal, mostra pesquisa

Estudo em modelos celulares demonstrou ação do dissulfeto de dialila em combinação com um medicamento comumente usado no combate à doença

Redação
Por: Redação Fonte: Secom SP
21/06/2026 às 14h25
Substância do alho aumenta eficácia de quimioterapia contra câncer colorretal, mostra pesquisa
Derivado do alho, o dissulfeto de dialila é um produto natural biologicamente ativo que tende a ser bem tolerado, facilmente disponível e de baixo custo (imagem: Jcomp/Magnific)

Um composto derivado do alho denominado dissulfeto de dialila é capaz de agir em interação com um quimioterápico muito utilizado contra algumas linhagens de câncer colorretal, o 5-fluorouracilo, aumentando a citotoxicidade do fármaco e possivelmente a efetividade do tratamento. Essa foi a conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP), que estudam a interação entre os genes e a dieta.

O 5-fluorouracilo foi escolhido para a pesquisa por ser um medicamento que demonstrou melhorar significativamente a sobrevida dos pacientes com esse tipo de tumor, o segundo mais diagnosticado e a segunda principal causa de morte relacionada ao câncer em todo o mundo. O seu uso é indicado em combinação com cirurgia mesmo nos casos metastáticos, quando a doença já se espalhou.

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Já o dissulfeto de dialila é um produto natural biologicamente ativo (nutracêutico), classe que tende a ser bem tolerada, facilmente disponível e de baixo custo. Além disso, é um agente que já apresentou mecanismos antitumorais anteriormente, como inibição do crescimento e proliferação celular, regulação do metabolismo carcinogênico, estimulação da apoptose (morte celular programada e saudável), prevenção da angiogênese (formação de novos vasos sanguíneos, um processo desregulado no caso do câncer e que permite ao tumor criar sua própria rede vascular e crescer), invasão e migração, além da redução dos efeitos colaterais.

O estudo é financiado pela Fapesp (projetos 21/09381-3 e 22/13151-6) e os resultados foram descritos em artigo publicado na revista Nutrients.

Durante o projeto de mestrado da pós-graduanda Estéfani Maria Treviso, o grupo avaliou o impacto de diferentes tratamentos em células de câncer colorretal (dos tipos Caco-2 e HT-29) e em células saudáveis da veia umbilical humana. Os dois grupos celulares foram expostos por 24 horas ao quimioterápico 5-fluorouracilo e ao composto dissulfeto de dialila — aplicados de forma isolada ou combinada. Ao final do período, os pesquisadores analisaram a citotoxicidade de cada abordagem, ou seja, a capacidade das substâncias de destruir as células tumorais preservando as saudáveis.

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“A conclusão foi que a sinergia entre o extrato de alho e o quimioterápico levou a uma ação mais eficaz contra as células tumorais utilizadas no estudo, mostrando que o uso do nutracêutico é promissor em tratamentos adjuvantes na quimioterapia”, afirma Lusânia Maria Greggi Antunes, professora associada da FCFRP-USP.

Experiência prévia

A equipe já acumula experiência com o dissulfeto de dialila. O composto foi utilizado anteriormente no doutorado de Ana Rita Thomazela Machado, que focou em modelos celulares de câncer de fígado – o sétimo tipo mais comum e a quinta causa de morte por câncer no mundo. Os resultados dessa pesquisa foram publicados no periódico Pharmaceutics. Como as opções de tratamento para a doença costumam ser limitadas, os pesquisadores defendem que associar quimioterápicos tradicionais a compostos bioativos de plantas é uma estratégia promissora.

Nesse caso, a ação do ativo extraído do alho e do sorafenibe – quimioterápico já usado clinicamente que atua bloqueando vasos sanguíneos que nutrem o tumor e sinalizando para que as células cancerosas parem de crescer– foi testada in vitro isoladamente e em combinação para avaliar seu desempenho contra células de carcinoma hepatocelular.

“No segundo trabalho, o dissulfeto de dialila foi testado em uma linhagem de carcinoma de fígado humano conhecida por sua alta taxa de proliferação e por alterações genéticas que ajudam o tumor a sobreviver. O composto foi capaz de induzir a morte dessas células, inibir sua migração e autofagia, além de alterar a expressão de suas proteínas”, conta Antunes. “Quando combinado com o quimioterápico sorafenibe, o composto apresentou efeitos sinérgicos, mostrando-se uma estratégia promissora para o desenvolvimento de novos protocolos clínicos”, aponta.

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