Geral Sergipe
Governo de Sergipe atua na gestão hídrica diante dos possíveis efeitos do El Niño
Ações de monitoramento, planejamento e gestão dos recursos hídricos integram o trabalho do Estado para acompanhar os cenários climáticos e se prepa...
21/10/2026 11h59
Por: Redação Fonte: Secom Sergipe

Em situações de risco, o planejamento de ações preventivas e a redução dos impactos negativos só são possíveis com dados e informação. Quando se fala do fenômeno meteorológico El Niño em 2026, os possíveis danos para Sergipe são de redução das chuvas e aumento da estiagem. Por isso, uma das principais ferramentas do Governo de Sergipe no enfrentamento e mitigação de riscos do El Niño é o monitoramento diário e a gestão das seis grandes barragens que abastecem Sergipe, que é realizado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (Semac), com apoio da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

Esse monitoramento é feito por meio da leitura dos níveis de água nas barragens com réguas especiais, chamadas liminimétricas, que são instaladas pela equipe técnica da Semac nas margens dos lagos. As marcações específicas das réguas permitem determinar o volume acumulado em cada reservatório. Esses dados são usados para a gestão dos recursos hídricos disponíveis, com prioridade para o abastecimento humano e a dessedentação animal, como determina a lei. Todos esses dados sobre os recursos hídricos de Sergipe, com variações históricas, mapas interativos e ferramentas acessíveis, estão disponíveis à toda população por meio do portal SERHidro ( https://serhidro.semac.se.gov.br/ ).

Cenário

Com o avanço do fenômeno El Niño 2026/2027, os dados monitorados pelo Governo do Estado mostram o declínio gradual do volume acumulado na barragem Sindicalista Jaime Umbelino, em São Cristóvão, que abastece Aracaju. Atualmente na cota de alerta, a barragem tem reduzido de volume de forma constante no ritmo de 4% ao mês, desde julho. No último dia 19 de outubro, o reservatório chegou a 8,55 milhões de metros cúbicos, representando 28,6%. Na mesma data, em 2025, o volume acumulado era de 27,06 hm³, e correspondia a 90% da capacidade do reservatório.

Entre os fatores que levaram à queda no nível da barragem está a redução do volume de chuvas neste ano. Os dados reunidos pelo Governo do Estado, por meio da Semac e da Defesa Civil, mostram que, no período chuvoso, de maio a agosto, todos os municípios monitorados pela Defesa Civil registraram menos chuva em 2026, na comparação com 2025, um ano de chuva acima da média histórica. Já na comparação com as médias históricas, cinco das oito macrorregiões do estado com precipitações menores que as esperadas em 2026: alto sertão, agreste, leste, grande Aracaju e sul.

Monitoramento

As seis grandes barragens monitoradas pelo Governo de Sergipe têm a capacidade de armazenar 89,3 bilhões de metros cúbicos de água, que correspondem a 84% do volume de água acumulado em reservatórios de domínio do Estado de Sergipe. O principal uso da água acumulada é o abastecimento humano e dos perímetros irrigados para produção de alimentos.

Essas seis barragens são administradas pelo Governo do Estado, por meio da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), no caso do reservatório Sindicalista Jaime Umbelino de Souza, e pela Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), nos demais reservatórios monitorados. 

A administração das barragens inclui a segurança das estruturas e a distribuição equilibrada da água, com prioridade para o abastecimento humano e para a agricultura. A Deso e a Coderse realizam a fiscalização permanente das condições físicas dos reservatórios, com investimentos e ações efetivas, em andamento, e outras programadas, para garantir a segurança hídrica e prevenir acidentes relacionados à estrutura das barragens.

O diretor-presidente da Coderse, Paulo Sobral, informou que o Governo do Estado, em um primeiro momento, está investindo R$ 15,4 milhões em obras e programas de segurança e emergência nas cinco barragens dos perímetros irrigados. "Os reservatórios administrados pela Coderse são direcionados ao abastecimento humano no interior e à agricultura, nos perímetros irrigados. Garantir a integridade dessas estruturas e trabalhar de forma integrada com os outros órgãos estaduais, como a Semac, permitem que nos antecipemos aos riscos do El Niño, direcionando a água para as demandas prioritárias, criando reservas hídricas para durar por mais tempo", enfatizou Paulo Sobral.
Vandalismo

Apesar da importância dos equipamentos de medição do volume das barragens, atos de vandalismo contra as réguas de medição instaladas vêm comprometendo a atualização do monitoramento. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente alerta que o ato de obstar ou dificultar a atuação dos governos sobre segurança de barragens constitui crime, além de gerar custos adicionais públicos.
Gestão hídrica

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A gestão hídrica no Estado é realizada pela Semac em parceria com a Deso, Coderse, Defesa Civil e Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) de forma integrada, já que demanda diversos serviços em diferentes áreas de atuação.

Os órgãos ambientais e de recursos hídricos atuam em todas as etapas, desde a emissão de licenças e a concessão do uso da água, a construção de novos reservatórios e a administração das barragens. Outro eixo importante de atuação é a educação ambiental, com foco na orientação para consumo racional e redução de desperdícios.

A secretária de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas, Ingrid Cavalcanti Feitosa, destacou o trabalho integrado e contínuo do Governo de Sergipe para garantir a segurança hídrica no Estado. “Os órgãos estaduais responsáveis pela gestão ambiental, dos recursos hídricos e pela Defesa Civil trabalham de maneira integrada e estratégica. Nesse cenário, quando chegaram as primeiras notícias sobre a intensidade do El Niño 2026-2027, já estávamos preparados para uma resposta mais rápida às demandas criadas pela mudança do clima”, explicou a secretária. 

SERHidro

Uma das ferramentas estratégicas para essa gestão é o portal SERHidro, que possibilita o monitoramento dos recursos hídricos estaduais e o planejamento de ações de mitigação. Disponibilizado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas, o portal coloca ao alcance das secretarias de estado, da sociedade e dos tomadores de decisão dados atualizados sobre barragens, outorgas, qualidade da água e segurança hídrica do estado. A ferramenta reúne informações da base cartográfica digital de Sergipe e do Atlas Digital sobre os Recursos Hídricos de Sergipe. Os dados são apresentados de forma simples, facilitando o acesso e garantindo a transparência das informações.

A partir desses dados, explicou o Gerente de Gestão e Segurança Hídrica da Semac, João Carlos Rocha, o Governo do Estado direciona os recursos hídricos de acordo com as prioridades estabelecidas por lei: o abastecimento humano e a dessedentação dos animais. “Com o monitoramento permanente, tomamos de maneira mais segura, e no prazo ideal, as decisões que que garantem o abastecimento das cidades e a agricultura”, destacou o gestor. 

A secretária Ingrid Cavalcanti acrescentou que a gestão dos recursos hídricos estaduais, que é responsabilidade da Semac, tem sido fundamental para a mitigação dos riscos trazidos pelo El Niño. “Na Semac, monitoramos as barragens, autorizamos os usos particulares e dialogamos com a gestão estadual e federal. É com esse trabalho técnico especializado e dedicado e com o diálogo permanente que atravessaremos o El Niño 2026-2027 com segurança hídrica em Sergipe”, enfatizou.

Atuação do Estado

As agências internacionais de clima confirmaram as condições de El Niño em junho de 2026 e, no mesmo mês, o Estado de Sergipe instalou a Sala de Situação do El Niño 2026–2027, com o objetivo de planejar e apoiar a aplicação de medidas efetivas de mitigação sobre os impactos do fenômeno climático. Formado por secretarias e órgãos estaduais estratégicos, o grupo trabalha de forma integrada para analisar informações e antecipar cenários de crise.

Foi formado um Comitê Técnico e Intersetorial para análise e monitoramento da situação e adoção de medidas de mitigação. O trabalho também está integrado ao Plano de Contingência Estadual, que orienta a atuação dos órgãos públicos diante dos possíveis impactos do fenômeno.

Uma das medidas já implantadas é a publicação periódica do Boletim Técnico de Proteção e Defesa do El Niño, elaborado por meio do Comitê Estadual de Gestão de Eventos Climáticos Extremos (Cegec). Produzido com base em dados oficiais e no monitoramento contínuo das condições climáticas, o boletim apresenta informações sobre os riscos nos oito territórios sergipanos e aborda possíveis impactos sobre os recursos hídricos, a agricultura, as pastagens e o risco de incêndios. A publicação também reúne orientações preventivas destinadas a gestores públicos, municípios e à população, contribuindo no planejamento de ações e na redução dos impactos do fenômeno no estado.

Barragem Jacarecica II é usada para o abastecimento público de Itabaiana, Areia Branca, Campo do Brito, São Domingo e Macambira / Foto: Ascom Semac
Barragem Jacarecica II é a segunda maior entre os reservatórios monitorados pelo Governo do Estado / Foto: Marcos Rodrigues
Barragem Jabiberi armazena água para abastecimento do município de Tobias Barreto e perímetros irrigados / Foto: Marcos Rodrigues
Localizada entre os Itabaiana e Campo do Brito, Barragem Governador João Alves Filho atende quatro municípios / Foto: Marcos Rodrigues
Governo de Sergipe administra e monitora seis barragens no Estado