Geral Sergipe
Estudo do Huse ganha destaque em revista científica internacional e reforça importância da odontologia hospitalar
Trabalho publicado na Oral Diseases discute a relação entre microbiota oral e lesões potencialmente malignas
07/10/2026 17h12
Por: Redação Fonte: Secom Sergipe

Um estudo da Odontologia Hospitalar do Hospital de Urgência de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse) ganhou destaque na revista científica internacionalOral Diseases, uma das principais publicações na área de Patologia Oral. O trabalho aborda a relação entre a microbiota oral e o agravamento de lesões potencialmente malignas, que apresentam maior risco de evoluir para um câncer.

A pesquisa, desenvolvida por um grupo liderado pelo cirurgião-dentista Lucas Alves Santana, parte do conhecimento de que a boca possui uma grande diversidade de microrganismos, incluindo aqueles importantes para a saúde e outros que podem provocar doenças.

O cirurgião-dentista explica que quando ocorre um desequilíbrio entre eles, chamado de disbiose, o ambiente pode favorecer processos inflamatórios. “Se eu tenho um tecido que histologicamente falando já tem um componente pró-inflamatório e eu tenho uma microbiota que já tem algumas linhagens bacterianas mais patogênicas e agressivas, eu consigo potencializar a agressividade dessa doença com a possibilidade de acelerar o seu risco de malignização”, explica Lucas.

O estudo chama atenção para a atuação de bactérias mais agressivas, que podem produzir toxinas e estimular uma resposta inflamatória. Em uma lesão potencialmente maligna, que já apresenta um processo inflamatório, esse mecanismo pode contribuir para a piora do quadro. Lucas ressalta, no entanto, que a presença dessas lesões não significa que o paciente necessariamente desenvolverá câncer. “Essas desordens potencialmente malignas são lesões que acontecem em boca e elas têm um risco ou uma possibilidade maior de virar um câncer. Não precisa que todas irão se converter a um câncer”, afirma.

Importância da odontologia no ambiente hospitalar

A publicação também reforça a importância da odontologia hospitalar no acompanhamento de pacientes internados, especialmente aqueles que permanecem por longos períodos em unidades de terapia intensiva.

Segundo o cirurgião-dentista, o controle da higiene bucal e do biofilme pode contribuir para manter os microrganismos potencialmente patogênicos em níveis adequados. “Onde entra a fundamental importância do papel da odontologia hospitalar para o controle desse biofilme e, consequentemente, manter o nível desses microrganismos patogênicos em um nível aceitável”, destaca.

O trabalho trata-se de uma carta ao editor, em formato de publicação científica utilizado para discutir hipóteses e questões que ainda estão em investigação, com base em evidências já disponíveis na literatura.

O estudo reuniu cerca de seis pesquisadores, com participação de professores da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Universidade Tiradentes (Unit) e pesquisadores dos Estados Unidos. Para Lucas, a discussão reforça que os cuidados com a saúde bucal vão além da prevenção de problemas nos dentes e gengivas. “A saúde do corpo começa pela saúde da boca”, resume.

Segundo ele, a higiene bucal está diretamente relacionada à saúde geral. “O controle da higiene bucal, a escovação, ela não só se restringe à saúde local, à saúde dos dentes, da língua e da gengiva. É a saúde geral do nosso corpo como um todo, porque a cavidade oral está integrada ao nosso organismo”, conclui.

O cirurgião-dentista Lucas Alves Santana / Foto: Ascom/SES