O tabuleiro político para o segundo turno da eleição presidencial ganha novos contornos com as movimentações em torno do União Brasil. O partido passou a discutir internamente a possibilidade de declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa, mas impõe uma condição considerada estratégica para a sobrevivência e o peso político da legenda: a garantia da permanência de Davi Alcolumbre (União-AP) na presidência do Senado a partir de 2027.
A articulação, que já vinha sendo avaliada por dirigentes da federação União Brasil-PP antes mesmo do término do primeiro turno, ganhou urgência diante do novo desenho de forças no Congresso Nacional.
O cenário para as negociações tornou-se mais delicado após o avanço expressivo do Partido Liberal (PL) no Senado Federal. A legenda elegeu uma bancada robusta e passará a contar com 28 das 81 cadeiras da Casa a partir de 2027, consolidando-se como a maior força partidária do Senado e acumulando capital político suficiente para reivindicar o comando da mesa diretora.
Nesse contexto, alas bolsonaristas já ventilam nomes para contrapor os planos de Alcolumbre. Entre os cotados para a disputa pela presidência da Casa estão os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS).
O comando do Senado tem um peso institucional gigantesco na República: cabe exclusivamente ao presidente da Casa decidir o andamento e a tramitação de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), tema sensível e central para diferentes correntes políticas.
Mesmo diante das discussões sobre um eventual alinhamento do União Brasil com a campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno, Davi Alcolumbre adota uma postura de manutenção de pontes.
O senador pelo Amapá mantém canal de diálogo próximo com o presidente Lula (PT) e sinalizou a aliados que pretende continuar apoiando o atual chefe do Executivo, desvinculando o pragmatismo das negociações partidárias locais do seu trânsito institucional com o Palácio do Planalto.
Enquanto as cúpulas partidárias negociam os termos da aliança presidencial, o futuro do comando do Congresso se firma como o principal eixo de barganha para definir os rumos do apoio no segundo turno.