PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assinou um documento do Foro de São Paulo que reconhece a reeleição do ditador Nicolás Maduro na Venezuela. O texto é de 29 de setembro, quando o grupo se reuniu na Cidade do México. A declaração final do encontro só é emitida se houver concordância de todos os participantes. O Foro de São Paulo reúne partidos e organizações de esquerda de 28 países — inclusive da Venezuela. As siglas brasileiras que integram o grupo, além do PT, são o PCdoB, PDT e o PCB.
O trecho do documento, além de reconhecer a vitória de Maduro, pede respeito à soberania do povo venezuelano e chama a oposição ao ditador, representada nas últimas eleições pelo candidato Edmundo González, de “extrema-direita”. “Dada a ação da extrema-direita, torna-se imperativo para nossas forças políticas apelar ao respeito pelas instituições, a democracia da Venezuela e a autodeterminação do povo venezuelano com relação aos resultados eleitorais que levaram à vitória do presidente Maduro”, destaca o texto, em espanhol.
A reunião do Foro de São Paulo foi organizada em paralelo à posse da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, evento ao qual Lula compareceu. O presidente, contudo, não participou do encontro do grupo. O R7 procurou a Executiva Nacional do PT, que não respondeu até a última atualização deste texto.
No Foro, o partido é representado pela secretária de Relações Internacionais, Monica Valente, que é secretária-executiva da organização. Monica também não retornou as tentativas de contato da reportagem.
As últimas eleições da Venezuela ocorreram em 28 de julho. O CNE (Conselho Nacional Eleitoral), órgão venezuelano responsável pelo pleito, proclamou a reeleição de Maduro no dia seguinte à votação. No entanto, como as autoridades da Venezuela não apresentaram as atas das eleições, o resultado não é aceito por parte da comunidade internacional nem pela oposição ao chavista. González se autodeclarou vencedor das eleições uma semana depois. Ele diz ter recebido ao menos 70% dos votos.
Embora Lula tenha declarado que não há nada “anormal” nem “grave” no processo eleitoral do país vizinho, a posição oficial do Executivo brasileiro é de não endossar nem refutar a vitória de Maduro enquanto as autoridades venezuelanas não divulgarem as informações.
Reportou TVC Brasil de Notícias