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Quando o proteger se torna cuidar

Segurança pública não se resume a viaturas nas ruas ou a ocorrências atendidas. Ela também se constrói no cotidiano de quem vive sob tensão, às vez...

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Acre
26/04/2026 às 13h42
Quando o proteger se torna cuidar
Foto: Reprodução/Secom Acre

Segurança pública não se resume a viaturas nas ruas ou a ocorrências atendidas. Ela também se constrói no cotidiano de quem vive sob tensão, às vezes com pouco acesso à saúde, sem espaços de pertencimento e sem a sensação de que alguém se importa. Ignorar isso é tratar o sintoma e deixar a doença avançar.

Foi assim que percebi, no bairro Calafate, em Rio Branco, o projeto Funcional com a PMAC, um dos “carros-chefes” do policiamento comunitário desenvolvido pela Polícia Militar do Acre. Acompanhei, a poucos metros de casa, uma das aulas e entendi que não se trata apenas de atividade física. Vi uma comunidade organizada em torno de algo que lhe pertence.

São mais de 400 participantes ativos. Fotos: Marcos Araújo/PMAC
São mais de 400 participantes ativos. Fotos: Marcos Araújo/PMAC

A sargento Hálida Prado conduz o projeto com rigor e sensibilidade. São mais de 400 participantes ativos, em sua maioria mulheres, distribuídos por pelo menos quatro bairros da capital. E há número semelhante de pessoas aguardando vagas. Esse dado não é detalhe, é evidência de uma demanda real que a instituição soube enxergar.

Sargendo Hálida Prado. Fotos Marcos Araújo/PMAC
Sargendo Hálida Prado. Fotos Marcos Araújo/PMAC

O que o projeto oferece vai além de exercícios. Oferece rotina, autoestima, saúde mental e o vínculo mais difícil de construir entre polícia e comunidade: a confiança. Para muitas participantes, é o único espaço estruturado de autocuidado acessível. Retirá-las do isolamento também é prevenção, não diretamente do crime, mas das condições que muitas vezes as alimentam.

A literatura sobre segurança pública aponta, há décadas, o que os dados criminais confirmam: territórios com coesão social registram menos violência. O policiamento comunitário eficaz não é aquele que reage ao problema, mas o que cria as condições para que a reação seja cada vez menos necessária.

A Polícia Militar do Acre, ao sustentar iniciativas como essa, não está fazendo um favor à comunidade. Está cumprindo, com inteligência, a missão que lhe é atribuída: proteger. E proteger, quando feito com seriedade, também é cuidar.

Joabes Guedes é jornalista e sargento da Polícia Militar do Estado do Acre (PMAC). Atua na Assessoria de Comunicação da instituição.

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