
A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz e os ataques a infraestruturas petrolíferas em março de 2026 acendem o alerta para um possível desabastecimento e nova disparada nos preços dos combustíveis.
SÃO PAULO – O mercado global de energia vive dias de apreensão extrema. Após o início das hostilidades envolvendo grandes produtores de petróleo no Golfo Pérsico no final de fevereiro, o mundo observa com lupa o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O bloqueio parcial desta rota e os danos em refinarias na região já fizeram o barril do tipo Brent saltar para patamares próximos de US$ 90 a US$ 100, forçando governos a discutirem o uso de reservas estratégicas.
Diferente de crises anteriores, o conflito atual atingiu diretamente a logística de escoamento. Com o tráfego de navios-tanque reduzido a menos de 10% da capacidade normal em alguns terminais, países da Ásia e Europa são os primeiros a sentir a escassez física.
No Brasil, embora a Petrobras tenha mantido uma postura cautelosa para evitar repasses imediatos, a pressão é crescente. Analistas do setor indicam que a defasagem dos preços internos em relação ao mercado internacional já atinge níveis críticos:
· Gasolina: cerca de 30% abaixo da paridade internacional.
· Diesel: com defasagem de até 40%.
"O problema não é apenas o preço, mas a disponibilidade. Se o conflito se prolongar, o mercado mundial sai de um superávit para um déficit real de oferta", afirma o relatório recente da Agência Internacional de Energia (AIE).
Mesmo que o Brasil seja um grande produtor, o país ainda depende da importação de derivados, especialmente o óleo diesel. O reflexo já começou a aparecer:
1. Transporte e Frete: O aumento do diesel impacta diretamente o custo do transporte de carga, o que deve encarecer alimentos e produtos industrializados nas próximas semanas.
2. Inflação (IPCA): Economistas preveem que cada 10% de alta no preço da gasolina nas refinarias pode gerar um impacto de 0,12 p.p. na inflação oficial.
3. Dólar: A incerteza global empurra investidores para moedas fortes, encarecendo ainda mais a importação de insumos.
Por outro lado, o Brasil pode ver um aumento na receita de exportação de petróleo bruto, ajudando a balança comercial. No entanto, o benefício nas contas do governo dificilmente compensa o desgaste político e econômico de uma alta acentuada nas bombas.
Nesta terça-feira (10 de março de 2026), ministros do G7 se reuniram para avaliar a liberação de estoques de emergência. No Brasil, o governo monitora a situação diariamente, tentando equilibrar a saúde financeira da Petrobras com a estabilidade dos preços internos.
Informou TVC Brasil de Noticias