Geral São Paulo
Programa Empreendedor Artesão estimula o artesanato paulista como negócio e fonte de renda
Iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico amplia oportunidades e abre caminhos para sustentabilidade, herança cultural e empreendedorismo
30/11/2025 09h11
Por: Redação Fonte: Secom SP

Voltado ao fortalecimento do artesanato paulista como atividade econômica e cultural, o Programa Empreendedor Artesão, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo (SDE), incentiva o empreendedorismo entre artesãos de todos os segmentos e regiões do estado, oferecendo reconhecimento, fomento, qualificação, acesso ao mercado e oportunidades de renda.

Selecionar, cortar, soldar, moldar, pintar, criar e vender. Todos os dias, há 28 anos, Claudinei Roberto Nanzi, 69 anos, morador de Jundiaí, interior paulista, trabalha minunciosamente em seu ateliê nos fundos de casa com um material comumente descartável: garrafas PET.

Nas mãos do artesão, uma garrafa de plástico de dois litros se transforma em obras de personagens icônicos como Sancho Pança e Dom Quixote, além de animais, folhas, flores e figuras religiosas como São Francisco de Assis. Tudo feito com muita paciência, técnica e paixão a partir de um material que demora centenas de anos para se decompor.

Hoje, a venda das peças é um complemento da renda de Claudinei, mas ele almeja que um dia o artesanato se torne sua principal fonte financeira. Para além do talento, ele defende que o artesão contemporâneo precisa saber empreender e por isso considera o recém-lançado Programa Empreendedor Artesão como um divisor de águas para o artesanato paulista.

“Para além da arte romântica do artesanato, somos empreendedores. E o papel do Estado é abrir portas. Quando o Empreendedor Artesão estava sendo criado, fomos ouvidos e valorizados. Foi uma ruptura. A partir daquele dia, muita coisa mudou e muito ainda vai mudar”, relembra o artesão sustentável.

Artesã já viajou para países como Paraguai e Espanha durante suas pesquisas

Estruturado para atender às principais demandas da categoria, o programa reúne pilares essenciais para o fortalecimento da atividade:

Do desmatamento à sustentabilidade

Claudinei trabalhou por quatro décadas no comércio de madeira e testemunhou de perto a extração predatória. Uma vez viu tratores com correntes derrubando grandes áreas de floresta e matando animais no processo. “Fiquei com culpa de fazer parte dessa cadeia destrutiva”, relata.

Ao se aposentar, decidiu que precisava devolver algo para a sociedade e ajudar na preservação da natureza. A ideia surgiu enquanto passava pelo Rio Jundiaí e se deparou com milhares de garrafas PET acumuladas na água. Ele começou a recolher o material e transformá-lo em plantas aquáticas, esculturas e peças decorativas.

“Precisava fazer algo diferente para me destacar, então comecei a investir na metalização das garrafas PET. Eu queria gerar debate, provocar consciência e mostrar que essas garrafas não são um material tão descartável assim”, declara Claudinei.

Claudinei transformar garrafas PET em diversas obras a partir do trabalho manual

Patrimônio cultural vivo

Se o relato de Claudinei apresenta o artesanato como uma ferramenta de transformação sustentável e econômica, a trajetória de Elizabeth Horta Corrêa, de 74 anos, mostra o artesanato como patrimônio cultural vivo. Há mais de 20 anos, ela se dedica à pesquisa e preservação da renda Nhanduti, técnica paraguaia ancestral em risco de extinção.

Elizabeth conheceu o Nhanduti em 2004, durante um curso de artesanato em Atibaia, onde vive até hoje. Encantada pela delicadeza das peças, iniciou uma verdadeira investigação para descobrir sua origem.

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Com poucas referências ou materiais disponíveis no Brasil, passou anos reunindo literatura antiga, estudando arquivos estrangeiros, visitando museus, recuperando manuais do século passado e até mesmo viajando para outros países, como Croácia, Paraguai e Espanha. Seu trabalho de pesquisa tomou proporções tão profundas que, em 2024, foi reconhecida como a única mestra da técnica de Nhanduti no Brasil.

“Você só preserva o que conhece. O esquecimento vira um círculo vicioso. São mais de 20 anos de pesquisa sobre algo que nunca foi estudado antes”, conta a mestra artesã.

Durante anos, Elizabeth produziu peças para lojas e joalherias, mas a complexidade da técnica sempre limitou sua escala. Trabalhar com uma renda tão fina exige mais tempo do que o mercado costuma comportar. “Um módulo de oito centímetros pode levar de oito horas até alguns dias para ficar pronto. É um trabalho minucioso”, explica.

Para ela, o Programa Empreendedor Artesão representa a chance de unir cultura, renda e preservação. “Essas técnicas só sobrevivem onde há vontade ou política pública. Além do benefício do emprego e da renda, você trabalha a própria cultura e garante que novas gerações tenham acesso a técnicas ancestrais”, declara.

Conheça mais sobre o programa Empreendedor Artesão aqui .

Sobre a SDE

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), do Governo do Estado de São Paulo, exerce papel fundamental para a reindustrialização e atração de investimentos com foco na geração de emprego, renda e desenvolvimento regional. Além disso, conta com programas de capacitação profissional e ações de fomento ao empreendedorismo, que incluem linhas de microcréditos do Banco do Povo. A pasta tem como instituições vinculadas: InvestSP, Desenvolve SP e Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).